Enxaqueca é perigoso?

Como eu já havia dito em postagens anteriores, enxaqueca não é sinônimo de dor de cabeça. Enxaqueca é um tipo de dor de cabeça, onde a dor de cabeça é apenas um dos sintomas.

A enxaqueca é uma doença, com forte componente genético. Nos quadros iniciais não encontramos alterações na estrutura do cérebro, por isso, exames como tomografia computadorizada e a ressonância magnética costumam ser normais. O que a pessoa com enxaqueca tem é, na verdade, uma alteração de funcionamento do cérebro. Porém, quando as crises começam a vir com muita frequência, podem ocorrer alterações na estrutura e no funcionamento do sistema nervoso da pessoa com enxaqueca. A ciência identificou isso mais recentemente. Por isso, meus queridos e queridas, é de fundamental importância que os pacientes com enxaqueca recebam tratamento adequado logo quando começam a manifestar as crises. A #automedicação e o consumo frequente de #analgésicos, #antiinflamatórios e #triptanas (medicamentos específicos para crise de enxaqueca) podem piorar o quadro clínico do paciente, transformando uma dor eventual em uma dor crônica. Consumo elevado desses medicamentos também pode contribuir para a enxaqueca ficar crônica.

Como referi antes, as crises frequentes de enxaqueca como também as dores crônicas levam a alterações no cérebro, medula e nervos. Essas alterações podem levar a comprometimento da memória, do sono, perda de força muscular, alterações do humor, ansiedade, depressão e muito mais.

Pesquisas já consolidaram a evidência de que pessoas que tem #enxaquecaCOMaura apresentam maior risco de desenvolverem complicações cardiovasculares, tais como acidente vascular cerebral isquêmico (AVC) e infarto. Portanto, quanto mais crises maior o risco desses eventos ocorrerem.

Eu costumo dizer muito aos meus pacientes: “enxaqueca e cefaleia em salvas não matam, mas maltratam muito”. Sendo assim, o maior “perigo” é o risco dessas doenças ficarem crônicas. A enxaqueca crônica é uma doença extremamente debilitante e sua prevalência no Brasil é quatro vezes maior que nos países desenvolvidos.

Nós médicos especializados em tratamento de pacientes com enxaqueca, outros profissionais da saúde como os pacientes que possuem enxaqueca deveríamos nos empenhar ao máximo para que não deixarmos que uma dor recorrente se torne crônica. Isso é perfeitamente possível. Quanto a #cefaleiaemsalvas, venho aplicando uma técnica de neuromodulação em pacientes que estão em fases de crise com resultados impressionantes. Em outro post falarei mais sobre isso.

Referências:
1. Kurth T, Winter AC, Eliassen AH, Dushkes R, Mukamal KJ, Rimm EB, Willett WC, Manson JE, Rexrode KM: Migraine and risk of cardiovascular disease in women: prospective cohort study. The BMJ 2016, 353:i2610.
2. May A, Schulte LH: Chronic migraine: risk factors, mechanisms and treatment. Nat Rev Neurol 2016, 12(8):455-464.
3. Hougaard A, Amin FM, Ashina M: Migraine and structural abnormalities in the brain. Curr Opin Neurol 2014, 27(3):309-314.
4. Bashir A, Lipton RB, Ashina S, Ashina M: Migraine and structural changes in the brain: a systematic review and meta-analysis. Neurology 2013, 81(14):1260-1268.

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