Enxaqueca e genética

A enxaqueca é um transtorno cerebral comum, com forte componente hereditário e está em segundo lugar no topo do ranking das doenças mais debilitantes no mundo todo. Estudos em famílias e em gêmeos mostraram que o peso da hereditariedade na enxaqueca é em torno de 42%.

É uma doença frequentemente associada a outras doenças neurológicas ou psiquiátricas tais como: depressão, acidente vascular cerebral e epilepsia. Aproximadamente um terço dos pacientes apresentam alguns sintomas neurológicos transitórios aos quais, nós médicos, chamamos de aura. Existe um tipo de aura, em que o/a paciente apresenta fraqueza muscular intensa em uma parte lateral do corpo. Essa manifestação de aura caracteriza um tipo de enxaqueca que chamamos de enxaqueca hemiplégica.

Estudos do genoma humano já identificaram 40 locais genéticos associados à enxaqueca. Esse componente genético (variações de vários genes) é mais elevado nas enxaquecas que estão presentes em famílias sobretudo nas enxaquecas com aura e nas enxaquecas hemiplégicas.

A enxaqueca também compartilha variações genéticas comuns à depressão. Uma pessoa com enxaqueca tem de 2 a 4 vezes mais chance de desenvolver um quadro de depressão. Na prática clínica, vejo pacientes com essas doenças associadas com muita frequência. A qualidade de vida dessas pessoas fica altamente comprometida.

Uma forte história familiar de enxaqueca está associada aos quadros que começam precocemente na vida, já na infância e/ou adolescência, a alta frequência de dor e ao alto consumo diário de analgésicos. Na enxaqueca hemiplégica há uma interação de múltiplos genes variantes com fatores ambientais.

Além da nossa herança genética, podem ocorrer outras mudanças – que não são mutações – no nosso genoma em decorrência da nossa interação com o meio ambiente (epigenética). A expressão da nossa herança genética depende também de como vivemos, de como interagimos e reagimos aos estímulos do meio ambiente (interação gene-meio ambiente). Esses dois fenômenos afetam claramente nossa suscetibilidade a doenças que herdamos geneticamente.

Um grande estudo holandês realizado em gêmeos concluiu algo muito interessante, que os fatores genéticos e ambientais tinham uma grande importância na manifestação da enxaqueca, porém esses dois fatores eram equivalentes entre si.

Estudo recente concluiu que um dos próximos passos no tratamento dos pacientes com enxaqueca será o aconselhamento genético.

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Referências bibliográficas:

  1. de Boer I, van den Maagdenberg A, Terwindt GM: Advance in genetics of migraine. Curr Opin Neurol 2019, 32(3):413-421.
  2. Amoozegar F: Depression comorbidity in migraine. Int Rev Psychiatry 2017, 29(5):504-515.
  3. Yang Y, Ligthart L, Terwindt GM, Boomsma DI, Rodriguez-Acevedo AJ, Nyholt DR: Genetic epidemiology of migraine and depression. Cephalalgia 2016, 36(7):679-691.
  4. Yang Y, Zhao H, Boomsma DI, Ligthart L, Belin AC, Smith GD, Esko T, Freilinger TM, Hansen TF, Ikram MA et al: Molecular genetic overlap between migraine and major depressive disorder. Eur J Hum Genet 2018, 11(10):018-0150.

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